27/04/11

11# Carta para uma pessoa falecida com quem gostavas de falar



Esta é para ti. Não que fosses a única pessoa que já faleceu com que eu gostasse de falar, mas sinto que és aquela a quem eu tenho mais coisas a dizer.
Não eras só filho do meu avô, irmão do meu pai .. eras meu tio, meu padrinho. Eras tu que me levavas a passear, eras tu que me empurravas no baloiço. Eras tu quem me levava ao cinema a ver a saga do Harry Potter. Eras tu quem me ia buscar a avó para passar fins-de-semana contigo e eras tu quem me levava à praia.
E de um momento para o outro, desapareceste. Eu sei que o sítio onde estás é bom, pacífico, não há guerras nem confusões .. mas o teu lugar era aqui, ao pé da família, da tia, do Miguel, de mim.
Desde que partiste que os meus passeios já não são bonitos, e a vontade de andar de baloiço já não existe, porque não estás lá para me empurrar. Nunca mais entrei numa sala de cinema para ver o Harry Potter porque sinto que se for com outra pessoa já não tem o mesmo significado.
Continuo a ir a casa da avó, e há vezes em que me ponho a chamá-la, num acto involuntário, incessante, até me aperceber que ela já não está lá também. E, outras vezes, ponho-me á janela a ver quando tu apareces no teu carro para me vir buscar, até me aperceber que não vens, não porque não queiras, mas sim porque não podes.
Ainda me recordo das nossas férias, onde tirámos a foto que aqui está, como se fosse hoje. Ainda me lembro do sabor dos croissants do pequeno-almoço, ainda me lembro dos passeios, de irmos tomar banho no rio .. tudo, como se se tivesse passado hoje de manhã.
Se pudesse mudava tanta coisa, dizia-te tanta coisa, agarrava-me a ti e abraçava-te como se não houvesse amanhã, porque não pensei que não pudesse fazê-lo agora. Sempre pensei que viverias eternamente, como os deuses do Olimpo.
Mas tu estás sempre vivo em mim, e sempre estarás, porque faça eu o que fizer, vá onde for, tu estarás sempre do meu lado meu querido anjo da guarda.
Tudo o que te posso dizer é que não vou deixar nunca mais a tia e o primo, por nada deste mundo, nem que ele acabasse agora.
Tenho muito orgulho em ti. No modelo que foste para mim, no que fizeste por mim porque sempre soube que se precisasse, tu eras provavelmente uma das pessoas a quem eu me virava e pedia ajuda.
Foste mais que um tio, um padrinho .. Foste um verdadeiro amigo, foste um 2º pai. E por isto e muito mais te agradeço.
"De Saudades vou morrendo
E na morte vou pensando:
Meu amôr, por que partiste,
Sem me dizer até quando?
Na minha boca tão linda,
Ó alegrias cantae!
Mas, quem se lembra d'um louco?
- Enchei-vos d'agua, meus olhos,
Enchei-vos d'agua, chorae! "

António Botto, in 'Canções'

Esta música é para ti meu anjo da guarda: http://www.youtube.com/watch?v=R2s-Ewzx0aM

10 # Carta para alguém que não fales tanto como gostarias



Mesmo sem querer, vou ter que falar de ti.
Sabes, podem passar os dias que passarem, mas a verdade é que às vezes sinto a tua falta. Sinto saudades das palavras de carinho e conforto que me dizias, da maneira que me tentavas alegrar quando estava em baixo.
Ainda me lembro daquele abraço que te dei quando nos vimos pela última vez, e lembro-me de tu me dizeres que querias voltar a sentir um igual ou ainda mais forte.
Nunca aconteceu. Seguimos caminhos diferentes. E hoje lamento-me por isso, sem nunca me esquecer de ti.

P.Azevedo

9# Carta para alguém que gostasses de conhecer




Jake Gyllenhall *-*

Anthony Hopkins *-*



Eu já ganhava o dia se vos visse pessoalmente, quanto mais conhecer-vos :$

8# Carta para o teu amigo virtual preferido

Assim que vi esta carta, soube logo que se destinava a ti. Moramos tão perto uma da outra, apenas umas duas ou três paragens de comboio nos separam e mesmo assim nunca nos vimos.
Mas eu não preciso de te ver para gostar de ti, já há muito que fazes parte da minha vida minha escrota :)

Cristiana Filipa

26/04/11

7# Carta para o teu ex-namorado

"Não sei como começar esta carta, nem sei se ela fará algum sentido, mas preciso de te transmitir tudo o que ficou por dizer, antes que rebente de mágoa e de tristeza, antes que os dias se sucedam num absurdo tão vazio e idiota que perca a vontade de viver. Tenho á minha frente o caderno que te comecei a escrever, uma espécie de diário da minha paixão contida por ti, aquele que nunca quiseste ter, embora me tivesses alimentado a esperança de um futuro longínquo, que um dia talvez pudéssemos partilhar, um projecto de vida futura que nunca passou da minha imaginação ou do teu delírio. Mas de que vale o amor sem um futuro sonhado, mesmo que nunca se concretize ?
Toda a nossa existência tem por condição a infidelidade a nós próprios. Fui muitas vezes na minha vida, infiel aos outros, mas sobretudo a mim própria, quando me recusava a escutar o meu próprio coração. Olho para trás e vejo com tristeza que os meus erros contaminaram as recordações do tempo em que ainda não os havia cometido e isso faz-me sentir culpada de coisas que não fiz. Por isso aplico a mim mesma uma espécie de autoflagelação, esperando que a dor infligida apague a original e, quando a segunda se esfumar, pouco mais reste da primeira, a não ser o sabor eterno e amargo de uma perda irreparável. O primeiro erro que cometi foi ter-me apaixonado por ti. Não sei ainda hoje explicar o que me aconteceu. É como se de repente tivesse saído de dentro de mim própria e assistisse ao desenrolar da paixão que crescia desmesuradamente, que sem quereres ou saberes, tenhas tocado nos pontos cardeais da minha insegurança e deles se tivesse acendido uma luz que segui, cega e surda, como os insectos numa noite de verão à volta de uma lâmpada que alguém se esquecer de apagar. Mas o amor é mesmo assim: absoluto, estúpido e tudo menos sensato. Ou talvez me tenha apaixonado apenas pela tua imagem e, quando te tornaste real aos meus olhos, te tenha adaptado a um ideal humanamente perfeito, à luz do meu desejo.
De qualquer forma, apaixonei-me por ti e esse foi o erro primordial, o primeiro de todos, provavelmente o único importante. Os outros erros nunca se teriam dado se este primeiro não tivesse crescido como uma bola de neve perdida numa avalanche. O segundo erro, e deste assumo toda a culpa, foi não te ter escondido que te amava. Queria-te tanto que pensei que isso te obrigaria a amar-me. Como fui burra e infantil ! O amor e a gratidão nada têm a ver um com o outro, embora ambos mascarem estados de afecto. O amor não se procura. Simplesmente vem-nos parar às mãos e só amamos o que é diferente, mesmo que nos pareça de algum modo semelhante. Tu tens essa diferença que me cativou. Mas devia ter aprendido a escutar os teus sinais e a decifrá-los, antes de me denunciar com os meus, bem menos subtis bem mais temerários.
Sou uma guerreira, o amor é a minha arma. O coração é o meu escudo, avanço sem lança nem capacete, caio e levanto-me as vezes que for preciso, mas não paro nunca. A não ser que o caminho se feche. O coração quando se fecha faz muito mais barulho do que uma porta, e acredita, oiço ainda o barulho do teu silêncio, como uma pedra encostada à garganta. Mas serviu-me para aprender algumas coisas, entre as quais que estar quieta também é uma acção. E ao ficar quieta, consegui parar de sonhar, e comecei a viver cada dia um atrás do outro, a sair para a rua e respirar o ar aquecido pela luz do sol como uma dádiva de Deus. Quando sonhamos muito corremos o risco de deixar de viver neste mundo, passamos para outra dimensão e são raras as vezes que transportamos connosco aqueles que amamos. E aquilo com que sonhamos, passa a ser o nosso desejo e é em função disso que respiramos, vivemos, adormecemos e acordamos.
O meu terceiro erro, já te disse qual foi. Caímos num duplo equívoco: nunca acreditaste que eu gostasse de ti e sempre gostei; nunca acreditei que me amasses e afinal nem chegaste sequer a gostar de mim. No amor, os homens são paranóicos e as mulheres obsessivas. Eles não acreditam no amor delas e elas não admitem a falta de amor neles.
Amei-te de uma forma desajeitada, arrebatadora e incondicional, sempre querendo e desejando o melhor para ti. O melhor, só tu mesmo poderás encontrar e hoje estou certa que não passa por mim. Não é a dor da rejeição que massacra, é a dor de saber que nada poderá sobrar deste amor. Que a amizade não tem espaço nem voz entre nós. Cada vez mais acredito que amar é dar, e tudo o que não é dado, perde-se. Com a morte deste amor por ti, morre também uma parte de mim, algo cujos contornos não consigo ainda delinear mas que com o tempo perceberei, quando a alma apaziguada fechar as feridas desta minha dor derrotada e passiva perante o teu silêncio e a tua mascarada indiferença.
Chegámos ao fim do caminho. A partir daqui todas as palavras serão inutéis. Nunca saberei até que ponto ages com o coração ou apenas com a cabeça. Até que ponto te entregas ou apenas jogas. Até que ponto sentes e ages, ou apenas observas. E é por nunca ter sabido quem és, que um dia te conseguirei esquecer."

MRP


20/04/11

6# Carta para um estranho

Olá querido estranho. Cumprimento-te desde já mesmo sem saber quem és. Não sei como és. Não sei como é o formato do teu rosto , a cor do teu cabelo , dos teus olhos. Se és baixo , alto , magro , gordo. Isso também não importa. Não sei donde és , que idade tens , se estudas ou trabalhas. Se gostas de passear ou de ficar em casa. Não sei se preferes um bom gelado ou um chocolate quente e também não sei quais os teus gostos musicais , a maneira como te vestes nem a tua estação do ano preferida. Não importa .. Diz apenas olá, estarei aqui para te conhecer e aceitar-te como és.

5# Carta para os meus sonhos


Eu acho que não preciso de dizer mais nada.
Há-de chegar o dia